quarta-feira, 17 de junho de 2015

Não tem graça






Um grupo de campismo adorado por nós e por muita gente foi extinto dias atrás.
Imediatamente nós (a Rose e eu) corremos para produzir esse vídeo abaixo.
Tanto corremos que a câmera ficou até fora de foco, esqueci de ligar o auto-focus da lente.
Acompanhe:


A ideia do vídeo acima fica evidente para qualquer um que assistir: Dar um toque de humor ao fato sem envolver pessoas; Apenas o fato em si, o fim repentino do grupo.

Muita gente gostou do vídeo, recebemos incríveis elogios que nos motivaram a seguir nessa linha cômica e produzir mais coisas. Porém, pouquíssimas pessoas, UFA! Não gostaram muito.

Toda e qualquer literatura sobre interatividade com audiência recomenda ignorar essas minorias e tratá-las apenas como um indicador para direcionar futuras produções.
Mas eu Danilo sou diferente, gosto de expor a forma que eu penso.
Podem notar, sou da paz, da turma do deixa disso, do diálogo, da alegria.

Então vou tentar explicar abaixo o que penso sobre humor:

esquete
no teatro de revista e em programas de rádio e televisão (e vídeos na internet), cena rápida e humorística.

Por experiência própria e por inúmeros casos que acompanhei, afirmo que a linha que divide o humor aceitável do mal gosto ou inapropriado é a mais tênue que existe.
Ai refleti: Será que é possível fazer humor sem afetar ninguém?

Damos risada de situações engraçadas, e situação engraçada normalmente é quando ficam expostas as fraquezas, erros, deficiências das pessoas.
Você pode até negar ai do alto do seu politicamente correto, mas no fundo sabe que humor bom de verdade é aquele que alguém sai ridicularizado, pode ser do presidente da república de algum país até mesmo o próprio autor.
Ninguém faz piada de árvore, esquete sobre papel sulfite, sitcom de paralelepípedo ou charge de nuvens.
Para a coisa ser engraçada, é preciso personagem, normalmente humano (ou humanizado, no caso dos animais, quadrinhos, etc. <Tipo: “A galinha que chegou no céu e falou...”, ou o “Pintinho sempre reclamava que nasceu sem...”>).

Claro que não sou a favor de sair humilhando pessoas, desfilando preconceitos ou então julgamentos precipitados.
O humor tem que ser consciente do que é agradável e realmente faz as pessoas rir e se divertirem.
Apesar de um ou outro insistir em piadas de mal gosto, dificilmente alguém vai rir de uma piada com temas fortes como câncer por exemplo !

Porém, de uns anos para cá, em tudo há uma patrulha virtual politicamente correta.
Aqueles que, independente do que for produzido de forma cômica envolvendo algo ou alguém, isso vai ser motivo para que, mesmo sem reflexão alguma, tomem partido e se sintam ofendidos pelo conteúdo.

Alguém faz algo satirizando “A”, essa turma vai se autodenominar “A” e ir em defesa burra de “A”. Se faz algo satirizando “B”, a mesma turma vai se autodenominar “B” e vai em defesa ferrenha a favor de “B”.
Vejam o exemplo das televisões abertas. Parece que todo mundo tem obrigação de criticar Galvão Bueno, missa do Padre Marcelo, programas evangélicos, Exxxquenta, programa do jogador Neto, Faustão, Gugu, novela das 9, mini séries, propagandas, telejornais, programas de entrevistas, talkshows, TUDO.

Parece que nada presta na TV !
Ok, é capaz de você concordar com a frase acima. Mas espera, muitos desses programas são basicamente entretenimento, não outra coisa que você acha que deve ser.
Assim, se não gostou procure sua tribo. Há “zilhões” de conteúdos bacanas por ai, é praticamente impossível você não encontrar um que te agrade. Se isso acontece, procure ajuda médica especializada.

Penso que o pessoal envolvido com humor deve se preocupar em fazer suas produções de modo independente sem se preocupar muito com repercussão negativa, número de visualizações, essas coisas estatísticas.

Tem que se preocupar sim é com o pessoal que gostou.
Dessa forma, deu vontade de fazer algo? Faça ! Se surtir efeito sobre a maioria e essa gostar, significará que está no caminho certo.
Os que forem contra, uma hora vão evoluir para entender. E se isso não acontecer, tudo bem também, talvez eles estejam achando graça em algo que você não gosta.
É normal e, não gostar de algo não lhe obriga a criticar ou ir contra.
Não gostei e só isso, como não gosto do sabor de anis estrelado e nem por isso critico quem gosta, não sou a favor da extinção desse sabor, não preciso comentar abertamente em redes sociais, gerar polêmica em aplicativos de comunicação instantânea, etc.

Meus amigos e eu, que fazemos o canal Camping Repórter no Youtube, não somos humoristas, nem atores, nem produtores profissionais.
Apenas estamos bem situados em 2015 e entendemos que a internet é moderna e que as pessoas também devem ser. Que pertencemos a uma sociedade livre que nos permite novos pensamentos, e as pessoas também devem ser assim.

Não é o conteúdo de um vídeo que não tem graça, o que não tem graça é falta de humor !




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